domingo, janeiro 11, 2009

In Nomine Dei


Em nome de Deus, ao longo da história, praticaram-se os actos mais bárbaros que se possa imaginar. As muitas guerras que a humanidade conheceu foram, muitas vezes, praticadas em nome de Deus. Embora os estudos históricos demonstrem que foram, na realidade, para a obtenção de recursos que as nações consideravam vitais. Pegando na História de Portugal, da qual, como português, me orgulho bastante podemos ver que em nome de Deus e da reconquista cristã, os nossos primeiros reis espalharam a morte e destruição sobre povos que habitavam há séculos na península ibérica. O objectivo era a conquista de território e de seus recursos, a desculpa era a punição e expulsão dos infiéis. Mais tarde, na expansão marítima portuguesa, o objectivo eram os recursos de além mar, o comércio, as especiarias, o ouro. A desculpa, mais uma vez, foi o espalhar a fé cristã. E foi assim que nós demos a conhecer novos mundos ao mundo e também demos a conhecer a morte e destruição a esses novos mundos. Estes são dois "pequenos" exemplos... e todas as nações têm destes "pequenos" exemplos.

E o que é que eu quero dizer com isto? Simples... que Deus foi a desculpa para os actos mais abomináveis que têm sido praticados na história da humanidade.

Se Deus existe ou não? Não faço ideia... já tive mais certezas do que tenho agora. É provável, realmente, que não exista e esta campanha de uma organização ateísta é uma recomendação muito saudável para a humanidade. Páre de se preocupar! Aprecie a Vida! Divirta-se!

Mas, por outro lado, não penso que ter uma religião, uma fé, uma crença seja de algum modo prejudicial ao espírito humano. Até julgo que é bastante saudável. O grande problema do mundo não é a religião, mas sim os radicais religiosos.
Isto porque em todas as religiões a mensagem inerente é uma mensagem de paz, amor e fraternidade entre os povos. Isto é o que desejo para o mundo em que habito. E, neste sentido, sou uma pessoa religiosa.
Já os radicais religiosos vêm o mundo a preto e branco. Encaram o mundo como um simples nós contra eles. E aí reside o problema!

E chegamos ao tema do momento... Israel e a Palestina.

Eu sou contra a guerra. Mas não posso, em consciência, tomar um dos lados. Ambos têm razões que considero válidas. E ambos têm razões que considero estúpidas. A questão é demasiado complexa. A política e a geo-estratégia é demasiado delicada. E no meio disto tudo quem sofre são as populações apanhadas no meio deste conflito de interesses.

Os palestinianos têm direito à sua terra e têm direito a que os seus territórios não sejam invadidos por colonatos judeus. Os israelitas têm direito a viver em paz e segurança e a não serem constantemente ameaçados pelas nações vizinhas e por actos terroristas. Parece simples... mas não é!

O estado israelita não consegue controlar os colonos ultra-ortodoxos que invadem a Cisjordânia. Conseguiram retirar esses colonos da Faixa de Gaza (eram cerca de 8.000 colonos) mas não conseguem fazer isso aos que estão na Cisjordânia (parece que são cerca de 200.000). Como não conseguem, preferem dar-lhes apoio e protecção. E assim, de facto, o que está a acontecer é uma anexação. A culpa aqui reside essencialmente nos fundamentalistas judaicos que consideram aquelas terras palestinianas como suas, dadas por Deus.

Os palestinianos, fartos de se verem expulsos dos seus territórios entregam-se, politicamente falando, a organizações fundamentalistas islâmicas. O Hamas é, de facto, uma organização terrorista. Mas também é uma organização que tem garantido o acesso à educação, saúde e apoio social àquelas populações. Por isso, é natural que se tenham entregue a eles. E essa organização tem como objectivo último a destruição do estado de Israel e a expulsão de todos os cidadãos israelitas.

Ao mesmo tempo que organizações políticas florescem na Palestina com o objectivo da erradicação de Israel da face da Terra, os países vizinhos apoiam e declaram-se solidários com essa intenção. Israel preocupa-se com a sua segurança.

Analisar os prós e contras de cada lado eternizaria este post... e não quero isso.

O que quero dizer é que o comum cidadão israelita e palestiniano quer viver a sua vida em paz. Podendo ir descansado trabalhar para procurar o sustento para a sua família e ver crescer os seus filhos em segurança e felicidade.
O grande problema aqui são os fundamentalistas religiosos dos dois lados. Uns querem todo o território porque acham que é essa a vontade de Deus. Os outros querem a destruição de Israel pois é essa a vontade de Deus.

Por isso, só tenho a dizer o seguinte...

Afrika disse...

Deve ser por isso que os lideres que incentivam a esta absurda guerra, estão refugiados noutro pais que não o deles... e quando não houver mais ninguém, quando não sobrar ninguém vivo, de que servira a terra?

Ja agora, bom ano!

Gi disse...

Cheio de razão estás.

100 remos disse...

Muito bem adaptado! Post excelente.

Catraia disse...

Nem mais!

100 Sentidos disse...

É pena que eles não consigam entender isso mesmo.

Palavras soltas disse...

Penso que a guerra nunca acabará, infelizmente!

as velas ardem ate ao fim disse...

Nem mais!É impossível tomar partido por um dos lados!

Viver apenas os dias ...será assim tão dificil??!!