segunda-feira, setembro 22, 2008

Frases soltas #51

Paga-se caro por isso, pela satisfação de um desejo, e embora seja verdade que esse preço é corrigido pela moral, da mesma forma que o sector público social-democrata corrige as dificuldades do mercado, também é verdade que a moral é património das classes média e baixa, que não evoluiram espiritualmente e que se encontram aprisionadas num conflito de interesses entre os seus desejos e os dos outros. Quando se consegue fugir desse estádio de consciência pequeno-burguês, vai-se ao mercado e compra-se o que se deseja sem perguntar a quem pertence ou qual é o seu preço.

in, Tonto, Morto, Bastardo e Invisível, Juan José Millás

segunda-feira, setembro 15, 2008

E se...

E se eu dissesse que deixei de fumar hoje e que também deixei de beber cerveja para ver se abato esta barriga? E a juntar a isto a convicção que vou começar a fazer exercício físico. Se eu dissesse isso, alguém acreditaria? Provavelmente pouca gente acreditaria... incluindo eu! E, no entanto, tenho esse pensamento na minha cabeça!

E se eu dissesse que cada vez ando menos inspirado para escrever seja lá o que fôr por aqui e que por vezes só me apetece mesmo pôr um ponto final nesta coisa sem grande sentido que é este blog? Se eu dissesse isso, alguém acreditaria? Provavelmente pouca gente acreditaria... incluindo eu! E, no entanto, tenho esse pensamento na minha cabeça!

domingo, setembro 14, 2008

Estranhamente

Dois posts abaixo disse Enfim... gajas! Não se pode confiar nelas! e, estranhamente, ninguém contestou. Realmente, não se pode mesmo confiar nelas... nem para se defenderem a elas próprias.

Play me #48

É a música que gosto mais das que actualmente passam nas rádios... Sweet About Me da Gabriella Cilmi. Aqui fica a rodar.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Conversas #20

- Estou acordado desde as quatro e vinte da manhã.
- Então!? Qual das crianças é que te acordou?
- A minha miúda...
- O que é que tinha?
- Diz que tem medo de dormir sozinha!
- Olha... também eu...

Pensamento

Há coisas que não entendo... algumas em mim e outras nos outros. Mas mais em mim... já que com as dos outros não me ralo muito.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Frases soltas #50

Um dos fenómenos peculiares do nosso tempo é o do liberal arrependido. Sobrepondo-se à afirmação marxista já familiar de que a «liberdade burguesa» é uma ilusão, há agora uma tendência generalizada para declarar que só se pode defender a democracia através de métodos totalitários. Segundo este raciocínio, quem ama a democracia tem de estar disposto a esmagar os seus inimigos por todos os meios ao seu dispor. E quem são os inimigos da democracia? Dá sempre impressão de que não são apenas os que a atacam de forma aberta e consciente, mas também os que a fazem perigar «objectivamente», ao propagar doutrinas erróneas. Por outras palavras, defender a democracia implica destruir toda a independência de espírito.

in, O Prefácio Que Orwell Tencionava Incluir em A Quinta dos Animais, George Orwell

Radical

Este sábado acordei cedo, mesmo muito cedo, e fui para Constância. Estava marcado um sábado radical... mas também não muito radical que não estou para isso! O programa era simples... depois de nos encontrarmos todos numa esplanada junto ao Zêzere a organização levou-nos em carrinhas para o início de um percurso de BTT. Um percurso fácil... mas não tão fácil assim! Dava para puxar um bocadinho, mas iamos todos em ritmo de passeio. Por outro lado a organização era mesmo organizada... ia um elemento à frente do grupo, ia outro a fechar o grupo e no fim ia a carrinha de apoio. O percurso eram cerca de 10 km e foi divertido! A chegada a Constância deu-se por volta da hora de almoço... e depois daquele passeio a fome apertava. O almoço, que nem era nada de especial, soube extraordinariamente... tal era o apetite aberto pelas pedaladas. Depois disto, algum descanso nas sombras e relva à beira Zêzere soube lindamente. A meio da tarde levaram-nos em carrinhas até à barragem de Castelo do Bode. A juzante da barragem entrámos nas frias águas do Zêzere para um percurso de 8 km de regresso até Constância. O rio levava água que chegue para não ser preciso empurrar a canoa nenhuma vez... mas o esforço é sempre grande e aquele contacto da água fria tornava excelente o percurso. Por várias vezes me vi suficientemente afastado dos outros para me sentir sozinho naquele vale... olhando as margens e o céu e escutando o som do silêncio. Extraordinário!!! Foi o que foi!!! À chegada a Constância finalmente dei um mergulho total! A água gelada soube muito bem depois daquele esforço. E, depois, trocar por roupa seca que aqueceu no carro ainda soube melhor. Aqui acabou a organização da Glaciar. Deles só posso dizer maravilhas pela simpatia e profissionalismo. A segurança sempre esteve presente. A organização oferecia todas as condições!
Depois disto o grupo decidiu jantar na região... alguém conhecia um restaurante bom algures perdido num lugarejo qualquer perto do Entroncamento e Atalaia. No tal restaurante só havia uma ementa... bacalhau desfiado com batata a murro! Talvez fosse da fome, do esforço do dia e da satisfação... mas o que é certo é que me soube como um dos melhores bacalhaus que já comi! Dali segui para a santa terrinha... cheguei lá perto da meia-noite. O corpo cansado, mas satisfeito! Quando me deitei adormeci!
Um excelente dia, foi o que foi!

segunda-feira, agosto 18, 2008

Hoje

Hoje o dia foi igual a tantos outros... igual a tantos que passaram e igual a muitos que virão. Mas hoje não fumei! Hoje comprei um livro novo para mim. Hoje quando me perguntaram se era para oferta eu disse que sim e mandei embrulhar. E hoje, quando cheguei a casa, vesti uns calções e fui correr... apesar de achar isso estúpido. Hoje li bastante mais do livro que comecei no sábado. Hoje fiz um jantar diferente. Hoje o jantar não saiu grande coisa mas também não estava mau. Hoje desembrulhei um presente que dei a mim próprio. Hoje dei um passeio a pé depois do jantar. E hoje queria ver se lia ainda mais. Bem vistas as coisas, hoje não foi assim tão igual aos outros dias... no entanto, até que foi. No fundo, foi um dia diferente igual a tantos outros.

Vai Nessa

A atleta Vanessa Fernandes ficou em segundo na prova de Triatlo, conquistando assim uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim.

Da minha parte nenhuma crítica. Aliás, tudo a favor! E envio-lhe um grande PARABÉNS pela excelente prestação!

Agora vamos a contas... quanto é que o Estado português, ou seja, todos nós, gastou com a Vanessa? Não sei... não sei nem me interessa muito porque de certeza que foi infinitamente menos do que tem gasto com a selecção de futebol. E essa selecção dos melhores chupistas nacionais o máximo que conseguiu para o orgulho nacional foi um segundo lugar. A Vanessa também!

Mas a Vanessa conseguiu esse segundo lugar gastando a todos nós alguns milhares de euros em apoios (se calhar nem chega a isso, se é que teve apoios)!

Já a nossa selecção conseguiu um segundo lugar recheando os bolsos de jogadores, técnicos e dirigentes. Todos eles foram pagos e bem pagos ao mesmo tempo que beneficiavam da exposição na selecção para valorizarem as suas carreiras! Ao mesmo tempo que esta gente enriquecia, o comum cidadão empobrecia. Portugal viu, impávido e sereno, serem gastos milhões com o futebol, hipotecando o nosso futuro mais próximo. Argumentou-se que eram investimentos válidos! Deixa-me rir... estádios são investimentos?!?

Pessoalmente acho que as pessoas que propuseram e levaram avante essa loucura deviam ser julgadas por crimes de lesa pátria e traição. E depois de julgadas deviam ser enforcadas... todas com a mesma corda para poupar e não andarem por cá a gastar do erário público que já delapidaram!

E enquanto estes jogadores, ex-jogadores, técnicos, dirigentes e políticos vive descansada e fartamente, o resto do país sofre as consequências. O engraçado é que o resto do país é o primeiro a apoiar estes estúpidos animais que com muito fizeram pouco e a criticar atletas que com pouco fizeram muito. Com um povo destes, Portugal tem o que merece!

Por isso... atletas como a Vanessa é que são verdadeiramente heróis nacionais!

domingo, agosto 17, 2008

Play me #47

Mudar de música! Bodyrockers com o tema I like the way you move. Porque me apetece!

Frases soltas #49

I'm just one man
What can I do?
Against an army
An army made of you

in, This is my life, Firewater

quarta-feira, agosto 13, 2008

Guia

Pequeno guia simples para evitar pequenas coisas que me irritam:


1º. Nenhuma palavra terminada em mente leva acento. Os advérbio de modo não levam acentos. Foram abolidos numa revisão ortográfica há umas décadas atrás.

2º. O acento ao contrário ( ` ) só pode aparecer em cima da letra A. Nunca nas outras vogais. E mesmo assim só há 7 casos (à, às, àquele, àquela, àqueles, àquelas, àquilo).

3º. A diferença entre o Há e o À é simples... se tiver a ver com quantidade ou algo que exista é o Há (porque este há vem do verbo haver). Se tiver a ver com deslocação é À. Não sei se é uma regra, mas se seguirem isto estarão certos quase sempre.

4º. O plural de qualquer é quaisquer! Não é quaisqueres! Se alguém vos disser numa conversa quaisqueres, podem sempre responder Quaisqueres? Este ou aquele?

Há mais coisas que me irritam... mas pouco falo delas. Hoje apeteceu-me! Não estou lá muito bem disposto.

Agenda

Bom... não se pode dizer que houve marcações. Houve comentários, mas não houve marcações. Entretanto, tenho mesmo que arranjar inspiração para escrever qualquer coisita de jeito neste Agosto.

domingo, agosto 10, 2008

Frases soltas #48

Quanto mais Schenck se informava sobre Estrella, mais lhe parecia que compreendê-la era uma tarefa que nunca estaria completa. Na sua cabeça, a imagem dela ampliava-se para além de todos os limites, mistério atrás de mistério. Possuí-la seria a menor das recompensas, uma reles banalidade. Compreender, explicar - tudo por que ansiava. E esperava que ela se assemelhasse a um dos seus mapas-múndi, com a carta da sua alma traçada diante dos seus olhos, cada motivo e móbil assinalado e definido.

in, Pfitz e a Cidade Inventada, Andrew Crumey

terça-feira, julho 29, 2008

Resolvido

Pronto... já está! Anos à espera e tive de me decidir a isso! O meu quarto já tem cortinado. Não sei bem se é assim que se chama... acho que lhe chamam cortinas japonesas ou coisa parecida. A côr? Para mim é um creme clarinho, mas acho que as gajas lhe chamam cru ou coisa que o valha! A instalação? Fácil! Tenho jeito para essas coisas! Comecei pelo quarto por ser o sítio onde menos se notava caso eu fizesse asneira... mas correu tudo bem! Segue-se a sala, mas ainda tenho de pensar na côr. Depois o quarto de trás. Tanto tempo à espera que ela aparecesse e escolhesse isso para quê?! Provavelmente quando aparecesse, se é que vai aparecer, nem saberia decidir isso e tinha mesmo que ser eu! Mas pronto... agora já está! Mais uns dias ou semanas e estará o resto!

Enigma

E ainda há gente que perde uma vida inteira a tentar encontrar uma resposta para o sentido da vida... quando, na realidade, há uma questão ainda mais importante e enigmática! Talvez mesmo a mais enigmática de todas! Muito superior em mistério a questões como a existência de deus ou se há vida noutros planetas. Entender e encontrar essa resposta talvez seja mesmo o nirvana do pensamento humano! E a questão é simples... que cena é essa que as gajas têm com as botas e sapatos?

segunda-feira, julho 14, 2008

Trinta e cinco

Trinta e cinco! Trinta e cinco já soa assim como se fosse um Senhor! Não sei... sei simplesmente que não me sinto com a idade que tenho. Também, pelos vistos, não pareço ter a idade que tenho. Mas, o que é certo é que há sempre dias em que nos sentimos muito mais velhos e outros muito mais jovens.

Na noite dos trinta e cinco ouvi que penso demais! Ouvi também que complico demais! E ainda gozaram comigo por estar sempre a planear! Que na minha cabeça tem de estar tudo esquematizado e certinho!

E vou dizer o quê a quem me disse estas coisas!? Shiuuu!!! Não digam nada a ninguém!!! É verdade!!! Mas se me perguntarem eu nego!!! Se comentarem que reconheci, eu respondo Nunca!

Sim... posso tentar não pensar tanto e deixar-me simplesmente fluir pelas vontades. Posso tentar não complicar tanto e simplesmente aproveitar o simples prazer de fazer sem pensar. E acho que já o comecei a fazer!

Quanto ao planear... desculpem-me lá!!! Posso tentar não planear tanto... agora será sempre necessário para mim dizer coisas como: Até convém deitar cedo hoje. Vou almoçar à terrinha. Quero lá chegar por volta da uma da tarde, por isso saio daqui entre as 11h e as 11:30h, por isso tenho de me levantar entre as 10h e as 10:30h. E foi com isto que as presidentas do lobby salseiro gozaram comigo por volta das três da manhã enfiados num táxi.

sexta-feira, julho 04, 2008

Jameson

Era uma noite escura inundada de uma névoa densa que se entranhava na alma. As ruas, luzidias de humidade, reflectiam a pouca luz que deslizava dos velhos candeeiros. Na esquina lá estava a porta do bar. Ele entrou. Penetrou naquele antro escuro onde a névoa dos cigarros embalava os corpos num doce torpor. Cheirava a fumo. Tresandava a álcool. E a decadência sentia-se na luz difusa e na dança do fumo cada vez que alguém se movimentava. Sentou-se ao balcão. Um balcão comprido de côr escura e de um brilho sebento sujo. O barman olhou-o e nada disse. Esboçou simplesmente um trejeito com os olhos e um leve abanar da cabeça como quem pergunta o que se quer. Jameson, disse ele, com duas pedras de gelo e copo baixo. Já de copo na mão olhou em volta. Ao fundo do balcão uma loira furacão estava sent... -Eh pá! Loira não! São sempre loiras! -Ok, está bem! Não é loira!... Ao fundo do balcão uma ruiva de longos cabelos e olhos verd... -Ruiva!? Ruiva!? Mas quantas ruivas é que tu encontras por aí?! -Dasss, pá!! É só uma história! -Mas ruiva!?! -Cala-te!!! Pronto, está bem... não é ruiva! Ao fundo do balcão uma morena de negros cabelos curtos, -Está bem assim????, fumava um cigarro. Os lábios carnudos carregados de batôn vermelho vivo respland... -Não lhe estás a dar um ar um pouco ordinário!? -Bolas, que tu és chato! É essa a intenção, pá! -Pronto, pronto! Não te chateio mais! -É um estereótipo!!! Não percebes nada!! Continuando... resplandeciam cada vez que ela molhava os lábios. Ele decidiu aproximar-se e perguntou se se podia sentar. Ela olhou-o. Perscrutou-lhe a alma como um sucubus e sorriu. -Um sucubus?! Deves estar armado em parvo! -Aiii!! Olha que eu chateio-me a sério contigo!!! -Não será um incubus!? -Não!!! Como é uma ela é um sucubus!! -Tu às vezes és um bocado para o pretensioso, não és! -Vai-te foder, corno de merda! E cala-te! Ele sorriu de volta e perguntou-lhe o que estava a fazer num antro daqueles. Beber, foi a resposta dela, e procuro almas perdidas. Ele olhou-a por aquele decote que o desafiava e respondeu, acho que te posso ajudar nessas tarefas... esta alma perdida bebe! Ela, pousando a mão na perna dele, pediu outra bebid... -Tu não podes estar a falar a sério!!! -Outra vez!?!? -Ai tu achas mesmo que é assim que se engata! -Dasss!!! -Tu não tens mesmo jeitinho nenhum! És mesmo tótó! -Eu juro!!! Se tu continuas eu vou-te à cara! -Pronto calma! Continua lá! ...pediu outra bebida. Bebeu-a de um trago só e agarrando-se a ele deu-lhe um forte beij... -Ahahahaha!!!! Não! A sério! Tu não existes!! -Pronto, acabou!!!! Vamos lá para fora! Lá fora, entre a humidade das pedras da calçada envolveram-se os dois numa grande cena de pancadaria. Enquanto trocavam socos e pontapés a morena saiu do bar, olhou aquela triste cena e afastou-se pela névoa sentindo ainda o sabor do beijo que tinha dado.