sábado, março 29, 2008

Rádio

Faltavam vinte kilómetros para as quatro da tarde e dirigia-se para sul. No momento em que três sobreiros passavam por ele cheirou-lhe a peixe frito e pensou O Amor é uma batata quente coberta de queijo derretido... e a rádio disse que sim.

Da solidão

Solidão é algo que acontece. Não é bom. Não é mau. Antes pelo contrário. Acontece e não há explicação para isso.

quinta-feira, março 27, 2008

Da beleza

Belo é quando alguém, passo a passo, desperta o interesse de alguém e, lentamente, vai enredando a sua pessoa na outra. Isso é belo!

Centenas

Este blog anda paradito! Muito por culpa das muitas centenas de mensagens que tive de responder por causa do último post e em que várias dessas mensagens me imploravam para voltar a escrever daqueles posts brilhantes que só eu em toda a blogosfera consigo fazer.

terça-feira, março 11, 2008

Prazeres

Não há muita gente de quem eu goste... é feitio. Não sou daquelas pessoas que gosta de toda a gente. A maioria é-me mesmo indiferente. Mas quando gosto de alguém, essa pessoa tem a minha amizade e pode contar comigo sempre. Uma dessas pessoas que eu aprecio bastante deu-me um post ontem sem o saber e, quem sabe, talvez uma reorientação.

Falava-se de conselhos e reproduziu-me uma frase que tinha ouvido. Recordou e comparou-a a uma outra frase que, penso eu, já a publiquei aqui. Uma frase brilhante diga-se de passagem... Se ainda não encontrou a pessoa certa, divirta-se com a errada.
Esta frase é sem dúvida muito boa... e, em parte, identifico-me com ela. Mas, tenho de reconhecer, não encaixa muito com o meu feitio.

Agora a frase que a minha amiga me disse é que pode encaixar comigo e servir de modelo de vida. A frase talvez não fosse bem assim disse ela, mas acho que fica muito boa assim Enquanto não chegam os grandes prazeres, aprenda a apreciar os pequenos.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Anónima

De vez em quando tenho para aqui uns ataques pessoais por parte de uma Anónima. Digo uma no feminino e singular porque, não tendo forma de saber, prefiro pensar que é só uma pessoa que me ataca e que essa pessoa é mulher.
Olha... eu acho que o teu mal é falta de sexo! Mas escusas de vir bater a esta porta porque aqui também não há muito! Se eu tivesse muito eu dava-te qualquer coisinha, mas não... tenho pouco e por isso não dá para dispensar.
Olha... e outra coisa... tenta arranjar uma vida que é o que eu ando, desajeitadamente reconheço, a tentar fazer!
Olha... e mais ainda... se me atacas tanto, será que pretendes alguma coisa de mim? É que isto faz-me lembrar aquele ditado do Quem desdenha...

Passe

Quando se fica doente parece que é o fim de tudo. Basta uma gripezita e achamos logo que nunca mais vamos melhorar e que nunca mais nos vamos voltar a sentir bem. Encaramos o futuro sem esperança e tudo nos parece negro. Sentimos-nos as pessoas mais desgraçadas do mundo e se, porventura estamos sós, achamos que é uma tamanha injustiça não ter ali alguém que nos mime um pouco. A neura apodera-se de nós e não há nada a fazer. A não ser... esperar que passe!

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Crónica

Deve ser do tempo, disse ele. É, deve ser... tão certo ser como eu estar aqui!, respondeu-lhe ela. Era um dia raro. Um dia de inverno rigoroso com copiosa chuva, vento e frio que penetrava o tecido das roupas mais quentes e grossas. Tinha caminhado por uma rua com folhas de plátano ululantes que esvoaçavam e reviravam em elipses perfeitas cada vez que o vento se deslocava com mais força. Tinham combinado encontrar-se naquele dia. O sítio era o de muitas outras ocasiões. Um petit café numa pequena praça onde já tinham passado muitas tardes. Hoje a situação era diferente. Fazia pouco mais de um ano desde que ela se tinha ido embora batendo com a porta depois de se ter despedido com um beijo.. E ali estavam eles de novo, sentados na pequena mesa alta da janela com vista para a elegante e romântica praça. Lá fora viam-se vultos que corriam abrigando-se da chuva. Lá dentro o sossego de uma casa quase vazia e de um calor temperado que convidada a despojarem-se dos casacos. Gosto disto, disse ela. Disto? Sim, deste lugar, respondeu ela à sua pergunta. Nunca mais cá tinha vindo! Ele pensou que era pena ela nunca mais ter vindo a este lugar. Era um dos seus lugares de eleição e sabia que ela lhe dava contornos de beleza etérea. Ele olhou-a fundo nos olhos, sorriu e disse E eu gosto disto! Ela esboçou um ligeiro sorriso inquiridor e ele completou De te ter aqui comigo. Ela desviou o olhar e envolvendo a chávena quente com as mãos soprou sobre o chá que fumegava e disse Já tivemos esta conversa. Ele inspirou fundo e deu um longo e arrastado suspiro. Como é que se chamam estas árvores? Ele fez um pequeno sorriso trocista ao ouvir a pergunta dela. Lá fora, a praça estava preenchida de frondosas mimosas que amarelavam o cenário que se via da janela. Mimosas, respondeu ele. Ficaram assim longos minutos, sem falar. Limitavam-se a olhar a chuva cair lá fora e o vento a arrastar as flores prematuras das mimosas. Por fim ela interrompeu o som do silêncio que já magoava de ansiedade com um simples Estás triste? Não, respondeu ele secamente. Ela retornou Mas pareces! Deve ser do tempo, disse ele. É, deve ser... tão certo ser como eu estar aqui!, respondeu-lhe ela. Ele esboçou um ligeiro trejeito nos lábios acompanhado de um suave cerrar das sobrancelhas. Deu um ligeiro movimento ao corpo posicionando-se de costas para a janela e encarando melhor o petit café. Era um espaço pequeno, povoado por sete mesas com cadeiras almofadadas de veludo verde. A toda a extensão espraiava-se um balcão de nogueira, madeira escura escurecida ainda mais pelo tempo. Os aromas antigos e tradicionais misturavam-se com sons novos que saíam algures de umas colunas escondidas e que imprimiam um som que combinava com a luz suave. Atrás do balcão dois homens conversavam. Um jovem cujo penteado, de cabelos no ar, aparentava ser o que de mais cuidado tinha na cabeça. O outro, ainda jovem mas a meio da casa dos trintas, tinha um ar calmo e compenetrado. Já viste!? disse o jovem com um ar de gozo. O da mesa da janela está há meia-hora a falar sozinho. O homem olhou para o jovem com um ar de enfado e respondeu-lhe Pensas tu! O jovem abriu a boca de espanto e um pouco confuso declarou Mas ele está sentado sozinho e a falar. O homem sorriu e pensou para consigo mesmo Há coisas que os jovens não conseguem entender e, encolhendo os ombros disse-lhe Para ele, é tão real aquela mulher como esse bolo de chocolate. Pegou num prato, cortou uma fatia grande e disse Toma! Vai lá dar-lhe esta fatia de bolo. Oferta da casa. O jovem obedeceu e quando estava quase a sair do balcão ouviu E não te esqueças de levar dois garfos. O jovem lá pensou com os seus botões Este é tão louco como o outro! e quando ofereceu o bolo ele disse-lhe Obrigado, ela adora! e o jovem não conseguiu evitar um sorriso cínico e esboçou um simples Não tem de quê. Voltando para trás do balcão disse em surdina Se calhar o gajo é perigoso! Não sejas tonto, respondeu-lhe o mais velho. O jovem com um ar mais espantado ainda pensou Há coisas que os mais velhos não conseguem entender e disse Não será melhor convidá-lo a sair? Pode afastar a clientela. O mais velho abanando a cabeça e olhando para a casa vazia sibilou Qual clientela? e continuou num tom mais audível Deixa-os terminar o encontro descansados, pode ser que se entendam! Mas tu estás bem?! inquiriu o jovem. O homem olhou para o jovem com um olhar sem expressão e pensando em como admirava todos os amores doentios só porque eram amores e ele tinha perdido algures no tempo a capacidade da amar e acabou por balbuciar Não, nem por isso e completou Deve ser do tempo. E o jovem limitou-se a dizer É, deve ser...

domingo, fevereiro 10, 2008

Play me #37

Voltamos a mudar... e agora para algo completamente diferente. Uma das músicas que mais gosto de ouvir. O nome é Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen também conhecida como Königin der Nacht e ainda mais conhecida pelo nome em inglês Queen of the Night. É Wolfgang Amadeus Mozart na ópera Die Zauberflöte (A Flauta Mágica). Esta gravação penso que é de 1981 para a Deutsche Grammophon com o Chor der Deutschen Oper Berlin e a Berliner Philharmoniker dirigida por Herbert von Karajan. A intérprete desta música é Karin Ott. Eu gosto... espero que também gostem.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Bairro

Diverti-me! Bebi muito! Bebi shots! Não é hábito. Meti conversa com dezenas de pessoas! O Bairro parecia o zoo! Uma noite normal, portanto. Acabei a noite a fazer de guia para três suiças! Bom era mais a amiga Zeni do que eu. Mas fui eu que meti conversa com elas! Mas eu estava num estado intratável. No estado de super-bebadamente-divertido! Quem me conhece sabe como é. Não me lembro de chegar a casa! Não é hábito... foi dos shots. Perdi os meus óculos escuros! Não é hábito perder coisas. Acordei tarde e com dôr de cabeça! Pudera. Mas lá me restabeleci. Foi boa a noite! Espero ter mais destas... Inshallah!

domingo, fevereiro 03, 2008

Imagem

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras... mas não há maior gosto quando a palavra desperta mil imagens. É isso que gosto de tentar fazer!

Play me #36

Mudemos de música... esta já cá anda desde o ano passado. Segue-se um grupo que já tocou por aqui diversas vezes. A sonoridade é apaixonante e as letras são fortes. Aqui ficam os The Dresden Dolls com o tema Good Day do primeiro álbum The Dresden Dolls.

sábado, janeiro 26, 2008

Caminhou

Caminhou daquela rua da Baixa até onde tinha deixado o carro. Meia hora passava da meia-noite e as ruas estavam deserta. Ainda de fato e sobretudo àquela hora da noite de sexta para sábado. Caminhou sentindo cada pequena escuridão que gritava de cada canto menos iluminado. Caminhou. Caminhando. Pensando. Sentindo o frio que se fazia sentir. O carro lá estava onde o tinha deixado umas horas antes em frente da Casa dos Bicos. Era tarde e cedo. Era tarde para quem se tinha levantado muito cedo. Era cedo para quem não sentia que era tarde. Apetecia-lhe beber um copo. Não lhe apetecia companhia. Apetecia-lhe casa. O sossego da casa. O silêncio da casa. As referências da casa. Pensou no que tinha para beber. Não tinha nada. Decidiu parar numa estação de serviço e comprar umas cervejas. Assim o fez. Na estação de serviço pululavam animais. Só podem ser animais gente cujo divertimento de uma sexta é ir para uma estação de serviço mostrar os seus carros tunning e vegetarem por lá a beber cerveja. E eu penso Não há grande diferença entre estes animais e o animal que eu sou, tanto eles como eu fazem o que lhes está a apetecer naquele momento. Encaminho-me para casa. Abro uma cerveja e bebo-a à janela. Penso no dia. Penso que hoje estive abraçado a uma deusa. Penso que há coisas engraçadas. Penso em como é possível gente que não me conhece de lado nenhum consegue conhecer-me melhor do que pessoas que me conhecem tão bem. E penso como isso é engraçado. E penso que não tenho vontade de rir. E penso que não vale a pena pensar nisso. E agarro na segunda cerveja e dou mais uma golada. E encolho os ombros e sorrio.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Frescos

O meu mais recente blog partiu de uma ideia que tive há mais de um ano atrás. A ideia até é boa, mas as dificuldades técnicas cedo se começaram a sentir. Em primeiro lugar estas coisas só se encontram por acaso e, nem sempre estamos munidos de uma máquina fotográfica. Em segundo lugar, eu até poderia optar por andar sempre com a máquina mas, dadas as dimensões dela, é um pouco impraticável. Em terceiro lugar, eu poderia optar por só publicar fotos destas coisas que encontrasse nos passeios que faço com a máquina, mas isso faria com que perdesse muitas com que me vou cruzando e não alimentaria o blog com a regularidade com que quero.

Por isso lá me decidi a comprar uma pequena máquina digital para poder andar com ela sempre... ou quase todos os dias. E posso dizer que isso já me levou a ter três novas fotos que publicarei nos próximos dias.

Para quem ainda não reparou... o blog é Frescos Urbanos.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Campeonato

Essa história do Campeonato da Língua Portuguesa... é para ver quem dá mais pontapés na gramática?

Uma

Diz um gajo que tem velas aromáticas! Diz um gajo que até tem óleos para massagens! Diz um gajo que até anda a tirar um curso! Esse gajo até diz que só lhe falta cobaias para praticar! E quantas pessoas é que se ofereceram?! Uma!! Uma!! Uma, casada e tudo, que deve ter massagens quando quiser... suponho eu! Realmente... não percebo as gajas!!

domingo, janeiro 13, 2008

Encantar

Hoje é dia 13 de Janeiro e acabo de concluir o meu terceiro livro do ano. Lá fora chove impiedosamente depois de ontem ter sido um dia bonito de sol e céu azul. Cá dentro refugio-me no silêncio e no calor que os aquecedores debitam e que as janelas duplas não deixam fugir. Arrumei há pouco num canto a vela aromática da Rituals que me ofereceram ontem. Arrumei-a ao lado do óleo de massagem da mesma casa que me tinham oferecido no natal. Ficam à espera da primeira cobaia com quem praticar os ensinamentos do curso de massagens que estou a tirar. Depois deste, será outro curso de massagens. Ao mesmo tempo lembro-me de outros cursos que surgiram como ideias em conversas recentes... cocktails, sushi, biodanza, cozinha, linguas. Qualquer coisa... tudo para ocupar o corpo e o espírito. Só quero inutilidades... ou serão utilidades fúteis? Não sei... desde que não seja produtivo e que me saiba bem, é isso que quero. Exercício físico também preciso... mas hesito num gasto excessivo num ginásio e uma pouca motivação para ir para a rua correr ou andar de bicicleta. Mas terei de o fazer se quero ajudar aos meus dias livres sem tabaco e que já vão em treze... tantos quanto houve este ano. E agora vou-me deixar tentar por um outro livro... o quarto. Talvez um livro de encantar.